Paris me Chama

Moda, Beleza e dicas de Paris

by Paula Saady

Minha entrevista com Jean Paul Gaultier

Minha entrevista com Jean Paul Gaultier

Fashion Week Paula's Diary Portfolio

Eu tive oportunidade de entrevistar o estilista Jean Paul Gaultier para o site brasileiro FFW e essa foi uma das minhas primeiras entrevistas com uma grande personalidade da moda. Um momento de muita emoção como vocês podem imaginar.

Ele esteve no Brasil em Outubro para promover seus perfumes que foram sucesso nos anos 90. Achei interessante compartilhar a entrevista com vocês, pois suas declarações tem tudo a ver com o momento da moda atual. Depois de ele inventar o figurino corset com o sutiã em forma de cone que eternizou Madonna, ele virou um dos designers queridos das celebridades e pop stars. Hoje ele parou de desenhar prêt-à-porter para se dedicar inteiramente à Alta Costura. Nesse verão ele também assinou os figurinos para um show em Berlim, “The One”, em Friedrichstadt Palast.

Um dos últimos desfiles pret-à-porter de Jean Paul Gaultier

Um dos últimos desfiles de prêt-à-porter do estilista Jean Paul Gaultier questionava a atual imagem de moda, de forma bem humorada.
“Não quero fazer roupas apenas para profissionais da moda, busco algo mais real e intimista, para aproximar o público das roupas”, contou nessa entrevista quase visionária sobre o futuro da moda.

Como na Alta Costura nos anos 50, não havia música. No lugar disso, a apresentadora Charlotte Le Bon, ex-garota do tempo do Canal+. Ela apresentava as modelos, descrevia os looks (que tinham nome próprio), e falava um pouco do gosto de cada modelo. Algo assim: “Look 55: Tonight is the Night, Anastasia em um vestido de jérsei plissado, seu prato preferido é frango frito e se fosse um homem ela seria James Dean”. Hilário, mas nem todos entenderam.

Minha entrevista com Jean Paul Gaultier

No fundo do palco, uma camarim aberto, em andaimes, onde víamos Gaultier e sua equipe, além das modelos trocando de roupas. “Queria humanizar as modelos, falando um pouco da personalidade de cada uma”, explicou.

“Até na beleza tentamos respeitar o estilo de cada uma, também utilizei mulheres de verdade, não só modelos.” Algumas das não-modelos eram performers burlescas, tatuadas da cabeça aos pés, o que dispensava o body com estampa tattoo para desfilar os sofisticados vestidos de festa. “A tatuagem não é mais símbolo do underground, ela é mainstream, quase um item da alta sociedade”.

A campanha da marca também era feita durante o desfile, em um cenário estúdio montado no centro da sala, onde as modelos paravam para serem clicadas pelo fotógrafo Miles Aldridge.

Segundo ele, a apresentação foi uma forma de re-conexão com a realidade de uma roupa de verdade, do savoir faire de uma peça, de uma campanha, de um universo. E isso ele tem de sobra.

Sobre a moda atual

“É estranho ver uma roupa na passarela, e 5 minutos depois já está na internet, no instagram, no facebook, no twitter. Parece que as pessoas estão querendo acelerar o tempo, antecipar o futuro, isso para mim é o medo da morte. Eu quero estar no presente”.
E com tantas marcas preferindo trabalhar com equipe de estilo, será o fim da assinatura do estilista? “Estamos em um momento de grandes grupos de investimento e eles não têm muito interesse em desenvolver esse tipo de personalidade. É uma época de menos criatividade”. Ele é um dos poucos que ainda possuem esse universo onírico forte, que aproxima a moda da obra de arte. “Sou um dos últimos dessa geração.”

Acho ele uma grande visionário da moda e foi uma super emoção ter tido a oportunidade de conhecer e entrevistar Jean Paul Gaultier de perto.

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Um desfile visionário

Figurinos para a coreógrafa Régine Chopinot

Olha o videozinho que eu fiz, fui quase pega pelos seguranças no final….

Obrigada por esse moment inspirador !

Minha entrevista com Jean Paul Gaultier

Bisous

Paula

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